Zélio Maia

Para Zélio Maia o importante é conscientizar a população, seja ela pedestre ou motoristas, sobre as regras e normas de trânsito; ‘o Detran não pode ser visto apenas como órgão de penalização’

Assim que tomou posse em março deste ano como diretor-geral do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), Zélio Maia tem constatado que o órgão que ele dirige possui características que muitas vezes a população, que está de fora dos processos internos do departamento, não consegue supor. Exemplo seria o mito de que o Detran-DF cuida apenas de veículos. Como Maia mesmo ressalta, conforme ocorrido em uma longa entrevista que ele deu à assessoria de comunicação do Governo do DF (GDF), todos os três milhões de habitantes do DF participam e precisam do trânsito local.

“Quem está de fora, obviamente, não tem noção da estrutura do Detran. Eu fui uma dessas pessoas, e me surpreendi, dada a importância do órgão. Nós atendemos três milhões de clientes que são todos moradores do DF – desde a criança, passando pelo adolescente, idoso, cadeirante, o pedestre que circula pela rua, o esportista que está correndo, aquele que anda de bicicleta, o cidadão que vai de motocicleta para o trabalho, caminhões, ônibus”, explica Maia.

Essa população precisa ser atendida com serviços que busquem não só punir o cidadão, quando há desrespeito com as normas de trânsito, mas também de conscientizar e prevenir a população sobre as dicas de segurança estabelecido no Código de Trânsito Brasileiro. “Detran que eu penso e imagino é o que pensa no pedestre. Estamos aqui para administrar o cidadão. País desenvolvido é aquele que privilegia o seu cidadão que anda a pé ou de bicicleta na rua.”

Maia também explica que a missão do Detran-DF sob sua gestão será de penalizar menos e conscientizar mais. Para ele, medidas preventivas são mais importantes do que medidas corretivas, e isso deve ser iniciado ainda na fase infantil do cidadão.

“Temos um projeto de fazer campanhas publicitárias voltadas a uma conscientização em massa, voltadas para toda a sociedade. A responsabilidade do Detran é muito grande. Começa com as crianças, então temos que ter campanhas voltadas para esse público. Não há exemplo melhor do que uma criança bem-educada e informada pedir que o pai coloque o cinto de segurança; ou que, nessa época de pandemia, alerte os pais para o uso da máscara. A criança é a faixa de idade mais fácil de você educar. Quando você educa bem uma criança, essa educação vai durar para o resto da vida”, detalha Zélio Maia.

Por isso, o diretor-geral do Detran-DF avalia que a diretoria de educação do departamento terá uma função relevante dentro durante sua gestão. Para Maia, essa diretoria é estratégica porque além de salvar vidas através do ensinamento de condutas que devemos ter no trânsito, ela também ajuda na desconstrução da ideia de que o Detran é um órgão que só fiscaliza e penaliza os motoristas.

“Para educar o cidadão – do cidadão pedestre, que às vezes não tem a devida informação ou educação no sentido de conscientização, de que ele tem que esperar o veículo passar, ingressando na faixa de pedestre de forma correta, passando pelo ciclista aos veículos tradicionais e carros pesados. Tenho como meta aqui no Detran fazer uma grande campanha, porque o Detran não pode ser visto apenas como órgão de penalização”, explica.

Realizações e pandemia

Ao falar sobre as ações desenvolvidas pelo departamento durante sua gestão, Zélio Maia explica que alguns resultados começam a parecer como resposta à maneira que sua equipe tem atuado. “Nós estamos com números relativamente bons, reduzindo em 27% o número de óbitos decorrentes de acidentes.”

Uso de máscaras dentro de carros não é obrigatório, mas é aconselhável, lembra o diretor-geral do Detran-DF

O Detran-DF também precisou se adaptar às novas regras impostas pelo isolamento social provocado pela pandemia de covid-19. Nesse sentido, o departamento foi preciso trabalhar assuntos relacionados a este novo momento, como foi o caso das notícias falsas sobre a obrigatoriedade do uso de máscaras dentro dos carros. “Não é verdade, isso não existe. Usar máscara é uma obrigação, mas [não usar] não é uma infração de trânsito. A ideia do governador no seu decreto é multar o cidadão que não estiver usando máscara, mas isso não impede que trabalhemos o conceito de conscientização para o uso de máscara, o que vamos fazer”, explica o diretor-geral do Detran-DF.

Em contrapartida, a pandemia diminuiu bruscamente o fluxo de veículo nas ruas do DF, conforme avalia o próprio Zélio Maia. “Descobrimos em análises técnicas que, com a pandemia, a quantidade de acidentes de trânsito diminuiu substancialmente. Logo, os hospitais passaram a receber menos pacientes de acidentes de carro, o que nos alertou a pensar que, quanto menos gente nos hospitais ocupando leitos, obviamente, estaremos disponibilizando leitos de forma direta para pandemia.”

Fonte Blog do Ulhoa

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