Bolsonaro falou com os jornalistas ao sair da reunião do Conselho de Governo, ocorrida no Palácio do Alvorada

A declaração foi dada à imprensa e deve seguir um padrão de “independência”; ‘A quem interessa não desvendar a morte da Marielle?’, indagou o presidente

Por Cláudio Ulhoa

A decisão tomada pelo presidente Jair Bolsonaro de pedir perícia independente a respeito da morte do ex-policial militar Adriano Nóbrega, na Bahia, ocorrida na semana passada, foi noticiada hoje à imprensa. Segundo Bolsonaro, a perícia servirá para elucidar o caso não só de ex-policial, mas também da vereadora Marielle Franco assassinada no Rio de Janeiro, em 2018.

“Já tomei as providências legais para que seja feita uma perícia independente. Sem isso vocês não têm como buscar até, quem sabe, quem matou a Marielle. A quem interessa não desvendar a morte da Marielle?”, disse o presidente.

Bolsonaro falou com a imprensa após sair do Palácio da Alvorada, onde participava da reunião do Conselho de Governo – ele se reúne periodicamente com o alto escalão para avaliar as ações desenvolvidas e discutir as prioridades da agenda do governo.

O caso do ex-policial Adriano tem repercutido na imprensa devido a dois fatores basicamente: o primeiro, seu possível envolvimento com milícias – tanto que em ele era um dos alvos da operação Intocáveis, aberta pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e as polícias Militar e Civil para prender integrantes de uma organização criminosa que agia na zona oeste do Rio de Janeiro. E o segundo, seu possível envolvimento com a morte da vereadora Marielle Franco.

O posicionamento de Bolsonaro é, até certo ponto, imprevisível. O fato de seu filho, o senador pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, é constantemente acusado por seus opositores políticos de ter envolvimento com a milícia que teria matado a vereadora carioca. Agindo assim, o presidente tira de si e sua família a suspeita de envolvimento no caso de Adriano. “Uma perícia independente vai dizer se ele foi torturado, se não foi, a que distância foram os tiros, e tinham dezenas de pessoas cercando a casa. A conduta não é essa, a conduta é cercar e buscar negociação para se render.”

O telefone usado apreendido em posse de Adriano também será periciado pelas investigações.

Disputa política

A investigação está sob responsabilidade de órgãos competentes dos estados do Rio de Janeiro e da Bahia. Na versão divulgada por uma perícia feita pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Adriano teria sido morto após ser socorrido pelos policiais que participaram da operação montada para prendê-lo.

A revista Veja, em matéria publicada na semana passada, disse que uma autópsia feita no corpo do ex-policial indicaram que os tiros o mataram foram disparados a curta distância, e não em troca de tiros como alegou a perícia feita pelo estado da Bahia.

A Bahia é governada pelo petista Rui Costa, que tem posição de diálogo com o presidente, mas sua sigla não. Bolsonaro chegou a dar declarações dizendo que os mesmos que querem ocultar o caso Marielle, são os mesmos que querem encobrir o caso o prefeito do PT, de Santo André (SP), assassinado em 2002, Celso Daniel.

O caso das investigações de Adriano pode passar para alçada de investigadores federais, caso o Ministério da Justiça e Segurança Pública, resolva federalizá-lo. Bolsonaro garantiu que não irá interferir em tal iniciativa. “Alguns podem pensar que ao federalizar, trazer para a Polícia Federal, eu teria alguma participação, influência, no destino da investigação. Se o Ministro Moro julgar que deve federalizar a decisão é dele.”

Fonte: Blog do Ulhoa

 

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